Mensagem da Presidente

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Mensagem da Presidente: “António Augusto Martins”

A comunidade  Anestesiológica  portuguesa  ficou mais pobre,  perdeu  o Editor chefe da Revista da SPA, António Augusto Oliveira Martins. Foi um colega, amigo de muitos  de nós,  que  dignificou  a Anestesiologia coimbrã, nacional e europeia. A ele prestamos  homenagem.

Personalidade discreta, íntegro, responsável,  tudo  assegurava com tranquilidade, nunca falhava, nada pedia, muito menos exigia, todos sabiam que se podia contar com ele.

Foi talvez o anestesiologista com uma atividade mais prolongada na  SPA. De 1993 até 1995 sob a presidência de Aquiles Gonçalo, iniciou a sua colaboração na revista como gestor financeiro. Entre  2001 e  2004, sob a presidência de Carlos Couceiro foi secretário da direção e integrou o  corpo editorial da revista, onde permaneceu   até   2012,   altura  em que passou a editor chefe por  convite de  Lucindo Ormonde. A atual direção, face à qualidade do seu trabalho,  manteve-o como editor chefe até 2017. Com ele,  a  revista, sofreu vários melhoramentos,  passou a ser publicada regularmente, a ter um consultor técnico com know how na área e a figurar no RCAAP.

As suas  excelentes capacidades organizativas começaram a ser demonstradas ainda no internato, nos anos 90,  na organização dos cursos do Centro Português da então Fundação Europeia de Ensino de  Anestesiologia (FEEA),  atual Comité Europeu de Ensino de Anestesiologia  (CEEA) da European Society of Anesthesiology (ESA), onde  chegou a integrar  o Conselho Cientifico e foi vice-presidente.

Em 2015, no 25º aniversário do centro, foi-lhe prestada a devida homenagem.

No Serviço de Anestesiologia dos HUC/CHUC  participou na organização das Jornadas de Anestesia 2000, sob a direção de António Lopes Craveiro,  e desde essa altura, em vários dos  eventos que o serviço organizou : Cursos de Anestesia Locorregional com José Martins Nunes,   Cursos do centro de simulação Biomédica do CHUC  e Jornadas ao Centro.

Foi coordenador do Centro de Simulação Biomédica dos CHUC  desde 2011 até  dezembro 2015.

Participou em inúmeros Congressos e reuniões cientificas em Portugal e no estrangeiro, por vezes, em representação da SPA; integrou desde inicio o grupo de revisores dos abstracts dos congressos da SPA; foi co-autor da Declaração dos Direitos e Deveres dos Doentes e Anestesiologia elaborada em 2013 no CHUC em parceria com a SPA,   no âmbito das Comemorações do Dia Mundial da Anestesiologia.

De realçar também a marca que deixou nas gerações mais novas, nos internos  que com ele conviveram  e aprenderam e, que a ele dedicaram palavras amigas de elogio grato  nas redes sociais.

Há alguns anos alguém se referiu ao António Augusto  como o carregador de pianos.  Talvez o fosse! Pessoas com as suas excelentes  qualidades humanas, sólida  formação, isenção e integridade   que transportam os pianos para os recitais, são  indispensáveis  para o concerto da vida.

Os testemunhos e homenagens dos colegas e amigos, na hora da despedida foram muitos e sentidos. Segue-se o de uma colega Anestesiologista  amiga de longa data, a Joana Carvalhas.

“Na hora da morte, todos os homens são bons.” Dizem…Mas no  caso do António Augusto, que não haja qualquer dúvida, morreu um Homem Bom! O António Augusto era inteligente, sensato e possuía um sentido humor subtil. Era sereno, íntegro, solidário e tolerante. Era de uma resiliência invulgar e de genuína modéstia que o impediam de deixar cair sobre si as atenções, dirigindo-as discretamente aos outros.

Amante da natureza e de experiências ao ar livre. Obreiro de amizades inabaláveis, alimentava-as, proporcionando e protagonizando momentos inesquecíveis cuja recordação, irá agora preencher, parcamente, a sua ausência. A capacidade de trabalho e de abnegação que possuía fizeram com que desenvolvesse vários projetos na área profissional, por sentir que era trabalho necessário. Conduziu essas atividades com seriedade, rigor, e elevado sentido de justiça.

O que extingue a vida não é a morte, é o esquecimento, mas, inexoravelmente, deixa um vazio lancinante. A amizade é o sentimento maior. Não morre. Não queremos que o tempo desvaneça a sua memória. Queremos que a sua memória nos continue a inspirar a todos, todos os dias.

António Augusto, encontramo-nos por aí. Adeus amigo.

Rosário Órfão | Presidente da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia

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